Nuca ficou tão evidente o tamanho do preconceito contra o
nordestino como nos últimos dias. Sinto na pele este preconceito, e acredito
não ser só pelo fato da Presidente Dilma ter sido vitoriosa nesta última
eleição. Mas por ele ser patrocinado pela má informação midiática (dos que querem
deter entre eles o poder) e a desinformação dos ignorantes que se deixam se
alienar. Tanto é que já ouvi de várias pessoas; todas elas ignorantes, no
sentido pleno da palavra, dizerem que, “quem votou na Presidente foi os nordestinos
pobres iludidos por alguns centavos dos programas do Governo”. “Eles vem para
São Paulo tomar o que é nosso”. “O prefeito dar prioridade aos pernambucanos e
baianos, a todo nortista, na aquisição de terreno e moradia e deixa os
paulistanos de ‘mãos abanado’”.
Os paulistanos e os paulistas de modo geral, não sabem distinguir
entre norte e nordeste. Muito menos entre pernambucano, baiano, paraibano, etc.
Para eles todos são baianos ou nortistas. E assim, pertencendo a alguns dos
estados do hemisfério norte/nordeste, são considerados inferiores aos "sulistas".
Chamo a isso de ignorância. Esquecem a historia e não vêm e o presente, que
graças ao trabalho pesado destes grandes heróis alagoanos, pernambucanos,
baianos, paraibano, “nortistas” São Paulo foi construida.
“Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito
Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Dividindo a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria o senador
O cassaco de roça era o suplente
Cantador de viola, o presidente
O vaqueiro era o líder do partido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Em Recife, o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
"Asa Branca" era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
O Brasil ia ter de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar
O arroz, o agave do lugar
O petróleo, a cebola, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Se isso aí se tornar realidade
E alguém do Brasil nos visitar
Nesse nosso país vai encontrar
Confiança, respeito e amizade
Tem o pão repartido na metade
Temo prato na mesa, a cama quente
Brasileiro será irmão da gente
Vai pra lá que será bem recebido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Eu não quero, com isso, que vocês
Imaginem que eu tento ser grosseiro
Pois se lembrem que o povo brasileiro
É amigo do povo português
Se um dia a separação se fez
Todos os dois se respeitam no presente
Se isso aí já deu certo antigamente
Nesse exemplo concreto e conhecido
Imagina o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam
Porque nosso povo não é besta” (Braulio Tavares e Ivanildo
Vila Nova)
Um cheiro no coração.
Um cheiro no coração.
