terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O AÇOUGUE



Pego emprestado um poema de um professo amigo meu para depois comentar a novidade no carnaval baiano. O título desse seu poema é o açougue.


"Carnes expostas

Corpos famintos

O vendedor ávido por se desfazer da mercadoria

Humanos sedentos por carnes

A balança espera o próximo pedaço..."


Vivemos a era do açougue: carnes e carnes expostas, homens e mulheres seminus e nus completamente. Isso era comum entre os romanos, onde os gladiadores lutavam sem roupas e bailarinas dançavam sem nenhuma veste para agradar ao imperador e aos convivas. Com o passar do tempo essa cultura tornou-se deplorável e combatida em muitas culturas, mas nunca vencida. A cada ano vendedor ávido para vender suas mercadorias  escancara as sua portas do seu açougue, sendo que este ano ele traz consigo a sua balançar suspensa a 10 metro de altura com o codinome de cápsula do sexo. Isso fere a dignidade da pessoa que vai com seus familiares e amigos ver o espetáculo carnavalesco e se deparam com um convite indesejado de fazer de sua pessoa, cidade e estado, ou melhor, país marketing de turismo sexual, porque em plena festa é feito o que deveria ser feito em sua privacidade. Se muitos não estão nem aí com a sua privacidade eu exijo respeito com a minha.

Isso é Brasil.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

UM BREVE DIAGNÓSTICO DE UM LÍDER


- Liderança não é chefia. Liderar é motivar pessoas e projetos.
- Líder não é uma cargo, é uma função. 
- O líder é feito em uma circunstância, se aceita ser líder ou não.
- O líder dar vitalidade, motiva, abre a mente, eleva a equipe, inova a obra recreia o espírito, empreende o futuro.
- O líder tem insatisfação positiva, é querer mais e melhor. Tem a sensibilidade para ultrapassar o óbvio.
(Mário Sérgio Cortella, teólogo e filósofo)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

POR ONDE ANDAM AS CABEÇAS DOS PADRES

kafka desenhos

Cresci em um ambiente que sempre se falava que o inferno era cheio de cabeça de padres. Inocentemente consentia a afirmativa por não ter a ferramenta necessária para um discernimento, até porque a minha idade era um tanto pueril e isso me causava medo. Com o tempo este ambiente foi reformado, ganhou novos aspectos e novos personagens. Neste passar de tempo aprendi que o inferno é algo tenebroso, como aquele descrito por Dante Alighiere na Divina Comédia e pintado no imaginário popular.

Com as idéias já reformuladas cheguei à  maturidade da razão e com ela a certeza de que a máxima de que o inferno era cheio de cabeça de padres nada mais é que um raciocínio falho. A razão veio dizer que o inferno, assim como o céu, não era um lugar, mas um estado.  E um estado de graça é permanecer diante da face de Deus e, o inferno é um está fora dessa graça. No dialeto popular, na desgraça. De desgraça em desgraça vem o desejo pífio de que aquele aquém não me simpatizo esteja na desgraça mais profunda: no inferno.

E o padre? O padre é aquele que executando a oração da Igreja oferece o Sacrifício eucarístico da Páscoa de Cristo pelos defuntos, aqueles que purgam na ante-sala do céu: no purgatório esperando a sua comunhão com os santos e, cujos nomes estão gravados no coração de Deus, o Justo Juiz, que julga com critérios diferentes dos nossos.

Vejamos como ele julga os condenados; a mulher adúltera (Jo 8, 1-11) que foi pega em flagrante adultério pelos fariseus e pelos escribas e, que por força da lei seria apedrejada, Jesus não a condena, só pede que ela não volte a fazer o mesmo. E o ladrão (Lc 23, 43), que apesar de seus inúmeros pecados, teve como prêmio a graça de gozar na vida futura permanecer ao lado do autor da graça. Está bem explicito que este foi para o céu. Um relato de condenação ao que nominamos inferno é o do rico avarento (Lc 16, 19-31), que em agonia clamava por piedade pedindo que Lázaro molhasse a ponta do dedo para lhe refrescar a língua, pois estava atormentado em chamas.

Interrogando a Jesus quem seremos após a morte, um grupo de especuladores religiosos se aproxima dele e procuraram fundamentar a sua inquirição usando um preceito mosaico, a lei do levirato (Dt 25, 5)[1], para pode chegar a termo dizendo: “Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão. Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão. Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao sétimo; Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram? Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22, 24-30).

Tendo em vista que na ressurreição todos seremos como “anjos de Deus no céu” à molde de São Gabriel, São Miguel e São Rafael, conclui-se que não haverá madre A. frade B, padre C, bispo B..., mas santo (ou em sua abreviação são) e santa A, B, C, D... Ademais, a única hierarquia é a da Trindade Santa: Pai, Filho e Espírito Santo.

Ora, se o céu é a graça e o inferno a desgraça, lá não se encontra nenhuma cabeça de padre, muito menos corpos de padres. Sim, apenas almas corpóreas[2] de A, B, C e D... E quando isso acontece? Acontece no momento instante da morte, porque o tempo para quem morre torna-se atemporal como diz Renold J.  Blank: “A pessoa que morreu vive o juízo final” [auto julgamento] “no momento de sua morte. É neste juízo final, porém, que acontece a ressurreição do corpo[3] glorificado daqueles que viverão como anjos de Deus.



Notas:



[1] Nesta lei a viúva sem filho masculino é desposada pelo seu cunhado, o primeiro filho é considerado do defunto e recebe sua parte na herança.
[2] Almas corpóreas porque não há uma dualidade, mas uma unidade do ser humano: substância indivisível. (cf. Mt 10, 28).
[3] Blank. Renold J. Escatologia da Pessoa, vida, morte e ressurreição. Paulus, 2000.

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